História da Motocicleta: Parte VI.

Moto Guzzi, de 1930 até o final da II Guerra Mundial

Com o apoio do governo fascista italiano, a Moto Guzzi viveu um período de apogeu na década de 1930, tornando-se líder de mercado na Itália no final da década.

Em 1930 a Moto Guzzi desenvolveu a “Quattro Cillindri 500”, com motor de quatro cilindros paralelos transversais, 500cc, com supercompressor e 40hp. Um motor extremamente avançado para a época mas, devido ao seu peso (40kg) e ao peso total do conjunto da motocicleta(165kg), não era muito competitivo. Em 1932 lança também e similarmente, uma configuração tricilíndrica com 500cc e supercompressor, o “Tre Cillindri 500”.

Em 1931 é lançada a Sport 15, um dos modelos mais populares da marca na década, sendo produzida até 1939. Também em 1931 é lançada a GT 16, idêntica a Sport 15 mas já equipada com suspensões de atrito na traseira e de atrito e mola na dianteira, o histórico e evoluído “sprung frame” da Moto Guzzi.

Destacamos, neste período, além dos modelos já apresentados e dentre os 20 disponíveis durante a década de 1930, o:

2 VT, G.T. e 2 VT (1931-34); Tre Cillindri 500cc (1932-33); P 175cc e P 250cc (1932-39); G.T. 17 500cc (1932-39); 500 bicilindrica (1933-51); GT 20 Alce 500cc (1938-45); Condor 500cc (1939-40); Albatroz 250cc (1939-49); e Airone Sport 250cc (1939-61).

Durante a Segunda Grande Guerra, a Moto Guzzi tinha quase toda a sua produção voltada as motocicletas militares Alce e os triciclos Trialce e Motocarri 500 U (com esteiras). Pelo fato de estar situada próxima ao lago Como, em Mandello del Lario no norte da Itália, sua fábrica foi poupada dos bombardeios aliados que se concentraram na distante área industrial de Milão. Por isto a Moto Guzzi emergiu na produção de transporte barato após a guerra, e tornou-se uma das maiores forças do motociclismo de competição do pós-guerra.

Moto Guzzi Trialce 1940
Moto Guzzi Trialce 1940

As inglesas, de 1930 até o final da II Guerra Mundial

Na Europa faliram marcas como AJS (reaberta depois), Ariel (reaberta depois), Gerrard, Hudson, NUT, Chater Lea, Rex Acme, Grindley Peerles e outras.

Na década de 1930, começou uma época de desenvolvimento tecnológico e de racionalização da produção de motocicletas, que então precisavam oferecer mais e custar menos.

A partir da junção de dois motores bicilíndricos paralelos em 1928 (uma revolução para a época) foi projetada a Ariel Square Four (quatro cilindros paralelos transversais), sendo sua comercialização iniciada em 1930.

Ariel Square Four 1930
Ariel Square Four 1930

A Brough Superior investiu em modelos esportivos de luxo, tendo clientes como Lawrence da Arábia (Tenente Coronel inglês Thomas Edward Lawrence) e reis árabes milionários. Lawrence tinha 7 Brough Superior’s e morreu em um acidente com uma em 1935. Era chamada a Rolls Royce das motocicletas, com a aprovação da própria Rolls Royce que mandou observadores para atestar o primor de construção destas motocicletas.

No começo da década de 1930 a Norton (com o modelo de competição CSI) e a Rudge (com motores de quatro válvulas), disputavam a liderança das competições inglesas de TT. A Norton obteve melhor performance até 1935 quando foi batida por uma leve Moto Guzzi monocilíndrica horizontal de 500cc (e peso de uma 250cc) em um TT Senior. Até então um TT Senior só tinha sido vencido por uma motocicleta estrangeira em 1911 pela Indian.

No final da década de 1930 a supercompressão foi permitida nas corridas de estrada. Se não fosse a guerra, este aspecto tecnológico teria acabado com as fábricas de corrida inglesas como AJS, Veloccete, Norton, etc... A Gillera “Rondine” 1935 supercomprimida de 4 cilindros, por exemplo, produzia 60bhp a 8.500rpm e chegava a 250km/h.

Em 1937, Edward Turner produziu sua “obra-prima”: A Triumph 500cc “Speed Twin”, bicilíndrica paralela que foi a base de todas as Twins e Triples subsequentes da Triumph. Era uma suave moto de passeio com desempenho de competição.

Com o panorama de guerra, no início da década de 1940, muitas fábricas sobreviventes ao crack da Bolsa de Nova York em 1929, finalmente faliram.

Para os europeus, a competição de motociclismo offroad “International Six Day Motor Trail” (ISDT) serviu como laboratório de várias motocicletas que vieram a ser utilizadas sob forma militar como: a Norton 16H, a BSA M20, a Matchless G3L, as Triumphs Vellocettes e a Royal Enfield 350.

Na Inglaterra o fim da guerra trouxe racionamento de matérias primas e combustíveis e, embora as fábricas de motocicletas estivessem ricas, existia uma grande dificuldade em produzir. Esta situação só melhorou quando em 1947, um acordo entre as fábricas de motocicletas e o “Ministério de Suprimentos” possibilitou uma retomada do motociclismo urbano e de competição.

Limitações de octanas na gasolina (máximo de 80 octanas) e equipamentos industriais para produção de resistentes motocicletas militares resultaram no início da era das grandes motocicletas de trail/offroad inglesas (Matchless WD G3l e G3C e AJS 16 MC).

Gláucio Gonçalves Tiago, consultor em motociclismo. Todos os direitos reservados. Utilização de partes do conteúdo poderá ser autorizada com a devida referência ao autor e fonte.


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