Contém:
Agora, se você gosta de cachoeiras e de um mundo natural que não cansa de se descortinar à sua frente, venha para São Thomé das Letras. Este é o lugar. Rios serpenteiam e se ramificam gostosamente por todos os lados, trazendo alegria de viver aos cidadãos e visitantes que se comprazem em se espadanar em suas águas e seguir o curso de seus rios. Cerrados perfeitos, repletos das maravilhosas candeias desembocam em matas ciliares plenas de denso prazer e senso de descoberta.
A cachoeira da Eubiose é uma das mais visitadas do Cantagalo, por ser a primeira que se encontra ao descer a serrinha para o vale. Dista uns três quilômetros do perímetro urbano de São Thomé e pode ser alcançada mesmo a pé. Nomeada por causa da Sociedade Brasileira De Eubiose, ciência derivada da antiga Teosofia. Levas e levas de pessoas descem até ali nos dias mais quentes. Queda alta belíssima e fotogênica, dividida por rochas que desviam-na entre uma queda fraca chuveiro e uma ducha fortíssima no canto, minha favorita. O ponto central da cachoeira fica apinhado às vezes, mas a Eubiose tem seus segredos e outros pontos à medida que se desce o curso do rio. Trechos com pequenas corredeiras, quedas menores tornam a cachoeira atrativa, mesmo que a queda principal esteja parecendo uma praia da moda num sábado de verão. Veja esses trechos na lista abaixo:
Nesses trechos, é possível encontrar a paz perdida no burburinho das pessoas agitadas na queda principal. Limo, orquídeas, bromélias, pássaros e até mesmo pequenos sagüis, quando a onda turística diminui ou cessa. Setas de sol por entre as folhas e ramos das árvores, pintalgando o chão com seu zebrado de luz e sombra. O zebrado se move lentamente, seguindo o curso do sol escondendo e revelando coisas no chão à sua passagem.
E hoje meu tio Heleno me escreve e-mail de Brasília onde vive com a família, para me perguntar sobre a cachoeira da Eubiose. Ele diz que faz parte da Sociedade Brasileira De Eubiose e pede detalhes sobre o lugar. Digo que há uma sede da Sociedade em São Thomé das Letras e ele se interessa. Aproveito e pergunto sobre a Eubiose e com o que lida. A resposta é algo assim entre a Gnose, a Rosa-Cruz e a Maçonaria.

Nomeada por causa do dono das terras onde se situa, o comendador Flávio. Queda mais baixa que a Eubiose, porém aberta num delta de duchas fantásticas e refrescantes ao simples contato com os olhos. Mostra-se algo barrenta em dias de grandes chuvas, límpida como cristal na falta delas. A água brota também de certos pontos arenosos distantes da queda, num visual interessante e digno de pesquisa. A água que se encontra aqui vem diretamente da Eubiose.
Nome genérico para um sem-número de quedas d'água no Brasil, esta é muitíssimo bonita com seu traçado de água explosivo por entre rochas enormes que atrapalham a passagem da água de maneira natural e espontânea, provando o quanto o caos pode ser belo. Ela é muito alta, provavelmente uns 40 metros e forma um poço gelado embaixo do qual se precipitam os eternos saltadores. A água é gélida, mas depois de entrar, superado o temor primitivo, o prazer é todo seu.

Continuação do Véu, descendo mais e mais por entre a mata, formando um poço descontraído com uma prainha onde grassam certos mosquitos em luas mais cheias e dias mais quentes. A queda é graciosa e bem baixa, boa para uma parada fotográfica. Dependendo-se do ângulo, se bem explorada, sugerirá visuais de rara beleza ao fotógrafo de plantão que se aventurar. Da prainha seguem-se numerosos caminhos e sub-caminhos dentro do mato.
Não, não é a estrela nem o lugar fictício criado por Érico Veríssimo para seu Incidente Em Antares. É uma imponente cachoeira no coração da floresta, com bem uns 70 metros de altura, de águas bonitas e paredão fantástico dentro de uma confortável e aconchegante clareira em meio à mata mais fechada. O poço é fácil e divertido. Interessante nadar desde a queda até a borda, aproveitando-se o empuxo de suas águas em permanente movimento.

Cachoeira minúscula, belíssima em seu visual tipo santuário. Você vai pela estrada de terra até o Cantagalo, virando à esquerda antes da Eubiose tomando o caminho de Sobradinho e, ao chegar, atravessa um portãozinho descendo a trilha aberta até o poço lá embaixo. Uma pequena praia espera à frente, com uma corda que pende da árvore acima para os primatas de plantão. É uma delícia se pendurar na corda e balançar para cair no meio do poço. Outros, mais Acapulco-style preferem se jogar de lá de cima das beiradas do poço para uns sete metros e tanto de queda. Um deles foi o artista que vos fala. Caí de cabeça, completamente torto, barrigada de sete metros, o corpo todo ardendo e o Vítor veio me dizer: "Cara, você caiu feio pra caralho" e eu disse que sabia. Mais que isso, que eu sentia.
Cachoeira iniciada geralmente por uma caverna de fácil e fascinante percurso, Sobradinho é também um subdistrito de São Thomé das Letras, à uns 15 km da cidade. Da caverna se sai para um gracioso conjunto de pequenos saltos e corredeiras que vai se estendendo num aclive suave até o topo da colina. Há um bar com sinuca e piscina (!) na parte do início da cachoeira, a uns 500 metros dela. Programa bacaninha para aqueles que estiverem com crianças, tanto pela segurança do local como pelo senso de aventura através daquela caverna.
Contém:
Do outro lado da montanha há outras descobertas. Só falarei daquelas que efetivamente visitei por ali, ou seja as duas aí de cima. São cachoeiras tranqüilas quando são cachoeiras e não corredeiras apenas. Dependendo da época do ano, os turistas enxameiam. O caminho para lá é o mesmo de quem desce para a cidade de Três Corações.
Nomeada por causa do acúmulo desses belos minúsculos e pacíficos animais de efêmera existência, embora eles já não freqüentem o lugar como antes, devido à intrusão dos seres humanos. Consiste de um riacho que desagua num alto desnível com forte ducha e um trecho com "chuveiro" bem ao lado. O visual é bonito e a cachoeira aconchegante, apesar do pesado fluxo de turistas. A cachoeira mostra-se atualmente bastante assoreada pelas atividades de mineração da cidade. A continuação é feita através do rio, com pequenos seixos em toda a extensão, delicioso de se caminhar por dentro por causa de seu visual, passando por uma pequena praia com um pocinho atrativo para pequenos mergulhos.

De difícil acesso - quem tem boca vai a Roma, mas mesmo assim é difícil - através de fazendas, celeiros, silos e propriedades rurais variadas, a corredeira é um ponto interessante para se sentar e curtir um sol ou ficar à sombra curtindo a paisagem. Não é programa indicado para quem pretende se afogar em litros e litros de água de montanha, mas digno de se ver e testemunhar. Pastos no caminho são abundantes, para aqueles interessados na pesquisa da mente.
Cantagalo | Vale das Borboletas