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Ideário Para A Sobrevivência Social Humana: o pensamento como a última fronteira humana a ser conquistada

Uma introspecção de Glaucio Tiago



Introdução


Por que pensar? Em uma sociedade concebida para a reprodução de rotinas de conduta individuais, que sem reflexão produz algo próximo ao bem comum, não se faz necessário o pensar e o gasto de tempo para tal atividade humana. Entretanto, só o conhecimento traz a liberdade, sendo impossível a produção do bem comum, da justiça social e da indispensável convivência humana saudável, sem o exercício do livre pensar voltado às ações individuais produtoras de bem estar e à formação de ações coletivas pertinentes à realidade de um lugar, de uma comunidade.

A formação do conhecimento é subjetiva, mas a transmissão do conhecimento deve ser objetiva, imparcial e simplificada: um pensar positivo para um agir construtivo; uma indução ao despertar.

Os processos de aquisição e/ou transmissão de conhecimentos não são, na nossa concepção, oriundos exclusivamente da educação escolar e nem gradativos ou programáveis. O acordar para o saber e a consolidação do saber nos humanos podem ser fenômenos atemporais e explosivos. Com certeza, ainda não podemos compreender estes tipos de fenômenos humanos e, portanto, torna-se imperativo a construção de um ambiente cultural que permita este acordar.

Este pensar não garante um mundo melhor, mas é induzido para este(s) objetivo. Nada garante a efetiva construção de um mundo melhor, mas a ausência de um modo de pensar este mundo em funcionamento, com certeza inviabiliza por completo a construção de um mundo melhor.

Um dos objetivos desta minha comunicação é tentar minimizar o esforço humano desnecessário, para que possamos melhorar a qualidade da vida em sua totalidade. Precisamos transgredir o que não mais serve aos objetivos da construção de um melhor lugar ao desenvolvimento da vida, tentar formar um ambiente de fecundação de idéias, traze-las à tona da sociedade humana, institucionalizar o pensar.

Não farei aqui concurso de autores para a aceitação ou aprovação deste meu pensar.

Necessitamos, por nós mesmos, aprender a dividir. Acalmar o tempo, para que intenções se alinhem à ações, e para que depuremos as emoções humanas. Parar de mentir para nós mesmos, para que nos conheçamos efetivamente.

Insisto, devemos exercer o pleno direito (quase dever) de criar. Estimular a criatividade e o livre pensamento. Existem muitos padrões comportamentais humanos a serem redirecionados, como: a escala de consumo; a intolerância cultural e sexual; o fluxo emocional da sociedade, etc. E o tempo urge!

Devemos competir no microcosmo somente com vistas à cooperação no macrocosmo. Uma competição sadia e que possibilite a formação de grandes talentos e realizações.

O tempo deve ser re-equacionado, devendo ser desacelerado nos grandes centros urbanos capitalistas e acelerado onde o atraso cultural e tecnológico seja evidência do sofrimento humano. Todos os compartimentos do saber humano poderão fornecer grande contribuição a isto, como (e principalmente) a microeletrônica, a informática e a psicologia. Não se entenda com isto um subjugamento do que consideramos inferior, mas sim uma tentativa de disponibilização de informação e meios para a construção da trama social e dos destinos das comunidades por elas próprias.

Quem dispõe de melhor condição material deverá com eqüidade exercer maior tolerância com outros humanos.

Devemos focar nossos esforços nas comunidades e nas famílias que a constituem. Família aqui deve ser compreendida como a família afetiva do indivíduo e não somente a sua família biológica. Evidenciamos que comunidades e famílias podem, nestes tempos, ser virtuais, o que nos dará um melhor brilho a esta ação transformadora, colocando-a sob outra ótica contemporânea. Uma grande oportunidade.


Nível conceitual (O Pensar)

Visando à organização e à provável diminuição de conflitos, faz-se necessário um grande incentivo ao pensar e a uma ação firme e contínua de promoção do acesso ao conhecimento.

Todos os seres devem receber carinho e respeito. As ações humanas devem ser focadas no prazer participativo, "a felicidade", e na auto-estima.

É imperativo o respeito irrestrito às identidades culturais, através, minimamente, da prática da tolerância às ações libertas e responsáveis em relação aos outros.

Neste sentido parece-nos ser imprescíndível o combate individual constante ao nosso próprio ódio e/ou ira, não se tematizando rejeições e, sempre que possível, nos distanciando daquilo ou daqueles que não gostamos.

A Natureza para nós é um dos fatores estabilizadores da boa conduta humana, e, portanto, o respeito à Natureza e ao seu uso deve ser sempre observado, bem como o acesso aos ambientes naturais deva ser sempre facilitado aos cidadãos. O importante aqui é a idéia de que os ambientes naturais devem ser: protegidos; responsavelmente acessados (e acessíveis); e ampliados em áreas de concentração humana com déficit de ambientes naturais, como, e.g., as metrópoles e as grandes cidades.

Valorizando-se as características individuais e as opções sociais e culturais das populações, poderemos formar redes interlocais para criação e reprodução de produtos de consumo tradicionais que, de maneira geral, promovem desenvolvimento econômico de famílias e auxiliam a produção de bem estar social.

Como opções de atitudes favoráveis à produção de bem estar social e cultural, podemos citar:

Observando-se a dinâmica social como percepção da totalidade para a eleição do caminho a ser seguido, é importante o entendimento de subjetividades, linguagens analógicas e de símbolos, para melhorar a qualidade da relação intersubjetiva humana. Neste sentido é imprescindível a homogeneização de processos eficazes de resolução de problemas e a heterogenização do pensar como forma de criação de um repertório otimizado de métodos de pensar e de agir.

Entendemos aqui a violência como uma característica natural das espécies animais, mas que deve ser devidamente estudada e controlada no comportamento humano individual e/ou coletivo. Neste contexto, a violência como forma de subjugamento de indivíduos deve ser severamente reprimida, sendo que, em nível conceitual, a violência física só pode ser tolerada entre forças iguais e sob regras responsáveis. No que diz respeito à violência na vida em sociedade, o Estado tem a função-dever de eqüalizar forças desiguais. Como exemplo de desequilíbrio de forças podemos citar a atuação de criminosos contra os membros e as famílias de uma sociedade normal e, portanto, quase sempre indefesos. A violência emocional ou psicológica deve ser rechaçada de todas as formas.


Nível operacional (Pensar o futuro próximo)

Para que possamos executar ações de redirecionamento social voltadas a caminhos benéficos ao corpo social podemos elencar os seguintes conceitos e ações de curto e médio prazo:


Urgências (Pensar o Presente)

Alinhando-nos à realidade atual de países como o Brasil, neste começo de terceiro milênio, reputo como necessário e urgente:

Em tempo, apresentamos também como uma urgência: A identificação e a desestruturação de sistemas de transmissão de ódio, comumente encontrados em empresas, universidades, condomínios, etc...


Contextualização deste ideário no espaço-tempo em que vivemos

Vivemos um tempo de desamor. Temos de acalmar o tempo, identificando e garantindo o espaço dos vários ritmos humanos. É preciso resgatar a unidade da espécie humana pelo respeito às diferenças e aos grupos culturais. Acredito que só trabalharemos juntos se planejarmos juntos e se tivermos chances de conhecermos a nós mesmos e a nossos objetivos.

É necessário redirecionar o trabalho humano. Não nos parece que necessitemos de mais trabalho do que o que já desenvolvemos, nem mais tecnologia do que já temos. Não se trata aqui de parar o trabalho, estacionar a humanidade, mas sim de redirecionar este trabalho a áreas laborais carentes, como o entendimento e o tratamento das emoções humanas, ou de alta demanda, como a produção de conhecimento e de técnicas de melhora da qualidade da saúde humana e do meio ambiente natural. Traçarmos um rumo melhor.

É importante refletirmos sobre a função da culpa na nossa sociedade. Acredito que devamos identificar culpados para que, simplesmente, possam necessariamente recuperar o que destruíram. Mais uma forma de não se tematizarem rejeições, redirecionando-as a caminhos construtivos e reparadores material e/ou psico-socialmente.

A importância do Estado e do Governo nestes contextos é imensurável, devendo se fazer longa reflexão sobre quais homens e mulheres devem assumir posições de poder e comando na sociedade. Talvez seja necessário o elenco de um novo repertório de identificação e premiação de valores humanos.

As famílias naturais e sociais assumem neste pensamento uma posição de extrema importância como unidades de comunidades não somente localizadas geograficamente, mas como estrutura de redes de relacionamento real e virtual. Neste sentido, entretanto, reconhecemos a necessidade de o ser humano possuir territórios para o desenvolvimento saudável da vida individual e familiar.

Temos de sair do isolamento e facilitar a saída dos indivíduos do isolamento. Mais do que trazer indivíduos à vida comunitária, é preciso deixar os caminhos e as portas bem sinalizadas. Os indivíduos é que escolhem o momento de vir à vida, de renascer.

Considero como extremamente importante a presença dos ambientes naturais no desenvolvimento saudável dos seres humanos, para que, além do conhecimento racional implícito que é gerado através deste contato, sejam também percebidas outras realidades presentes em diferentes ritmos cósmicos e telúricos ainda não descobertos, descritos ou compreensíveis pela ciência humana contemporânea.

Finalmente, e para última contextualização, se tivesse de eleger um vilão como culpado para as coisas ruins da história humana contemporânea, eu elegeria o "medo". Para mim, a principal causa da violência e da intolerância humana é o medo. Muitas culturas de dominação humana já utilizaram o medo como forma de subjugar indivíduos e culturas, que passam a existir clandestinamente nas sociedades como monstros escondidos dentro dos armários. O medo de perdermos ou de ganharmos, de vivermos ou de morrermos, o medo até de sentirmos medo. Devemos vencer o medo, enfrentá-lo com rigor e inteligência. Vencer os predadores que nos esperam fora de nossa caverna, para, enquanto vivos, comemorarmos a vida e alcançarmos a paz, coletiva ou individual, material ou espiritual:

PAZ TOTAL.





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